O PIB Brasil 2022 deve ser de 1,5%, conforme as previsões do governo federal, não mais 2,1%. Isso significa que o crescimento da economia brasileira será menor do que inicialmente projetado pelo governo. Contudo, para 2023, a expectativa foi mantida em 2,5%.

Esses números contrastam fortemente com o que o mercado financeiro espera. De acordo com o Boletim Focus, relatório feito por mais de 140 instituições financeiras, o PIB 2022 deve ser de 0,5%. E no próximo ano, o mercado projeta alta de 1,3%.

Se você acha que esses números não fazem muito sentido e quer saber mais sobre o PIB, então continue a leitura. A seguir, você verá como é calculado o Produto Interno Bruto, para que ele serve e qual o PIB Brasil.

O que é PIB?

Antes de mais nada, é importante saber que a sigla PIB significa Produto Interno Bruto. Ele é um dos principais indicadores econômicos. E, em resumo, representa a soma de todos os bens e serviços finais de um local em um determinado período.

Ou seja, é possível identificar o PIB de um país, estado ou cidade, no mês, no trimestre ou no ano. De forma prática, o Produto Interno Bruto demonstra a dinâmica econômica de uma localidade.

Por isso, é comum ouvirmos que “a economia cresceu X%” para se referir a esse indicador. Em outras palavras, o crescimento da economia é a medida do quanto um país está produzindo mais riquezas.

Ele pode ser avaliado de duas maneiras:

  • PIB nominal
  • PIB real

No primeiro caso, utiliza-se preços correntes do ano em que o produto final foi produzido. Já o PIB real (ou deflacionado) é medido a preços constantes. Ou seja, desconta-se o efeito da inflação (IPCA) nos preços correntes.

Desse modo, o segundo é o mais utilizado pelos economistas, ainda mais quando se tem tanta inflação como no Brasil.

Para que serve o PIB

O PIB serve principalmente para medir a atividade econômica de um local. Uma vez que, se a economia cresce, há mais oferta de trabalho, mais pessoas empregadas e com renda consomem mais. Assim, a indústria tende a produzir mais, e as famílias consomem mais serviços.

Por isso, a partir da performance do PIB, pode-se fazer várias análises, como:

  • Qual a evolução da economia de um país ano a ano;
  • Comparar o tamanho das economias de diversos países;
  • Avaliar o PIB per capita (divisão do PIB pelo número de habitantes) para saber o quanto uma economia cresce conforme a sua população.

Contudo, o IBGE (responsável pelo cálculo do PIB) alerta que ele é apenas um indicador síntese de uma economia. Ou seja, não consegue expressar fatores como: distribuição de renda, qualidade de vida, educação e saúde.

Dessa forma, é possível encontrar um país com baixo crescimento econômico, mas alto padrão de vida, e vice-versa.

Diante de tudo isso, o acompanhamento do Produto Interno Bruto serve como alerta às autoridades monetárias. Já que, países com baixo crescimento podem desenvolver planos macroeconômicos de estímulo à produção ou ao consumo.

Como é calculado o PIB

O PIB é calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com metodologia que usa o conceito de valor agregado. Em outras palavras, o valor adicionado a cada etapa de produção.

Por exemplo, o ferro usado na produção de um carro não entra na conta, só o veículo final. Da mesma forma, com relação ao trigo, que vira farinha de trigo e, por fim, pão. Apenas o pão entra na conta.

 Na prática, PIB pode ser calculado de duas formas:

  • Pela produção;
  • Pela demanda;

No primeiro caso, o Produto Interno Bruto é a soma dos resultados da indústria (30%), dos serviços (65%) e da agropecuária (5%).

No segundo, utiliza-se a fórmula abaixo para calcular o PIB:

PIB = C + I + G + X – M

Assim,

  • C significa consumo. Ou seja, os bens e serviços que as famílias compram ou contratam (60%);
  • I é o investimento das empresas em ativos ou em estoque para o futuro (18%);
  • G quer dizer as despesas do governo (quer seja federal, quer seja estadual ou municipal) com bens ou serviços (20%);
  • X são as exportações, produtos e serviços vendidos no exterior;
  • M são as importações, bens e serviços comprados de fora do país.

Em geral, a análise do crescimento econômico é expressa como uma variação percentual do PIB de um ano em relação a outro.

PIB per capita

O PIB per capita, ou por pessoa, serve para representar o que cada pessoa teria do total de riquezas produzidas. Ou seja, é o PIB dividido pela população do local avaliado, seja país, estado ou município.

Com esse indicador, pode-se comparar mais facilmente PIBs de locais com grande diferença populacional. Por exemplo, um país com PIB elevado e muitos habitantes, pode ter um PIB per capita baixo. Por outro lado, países pequenos, mas com PIB mediano tendem a exibir um PIB per capita alto.

No entanto, é importante ressaltar que esse indicador não quer dizer qualidade de vida, pois não considera a distribuição da renda.

Qual o PIB do Brasil?

Conforme o Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, o PIB do Brasil foi de R$8,7 trilhões em 2021. A última divulgação feita pelo IBGE apontou que o Produto Interno Bruto cresceu 4,6% frente a 2020.

O crescimento da economia foi puxado pelas altas nos serviços (4,7%) e na indústria (4,5%). A saber, estes dois setores juntos representam 90% do PIB do país. Por outro lado, a agropecuária recuou 0,2% no ano passado por causa da estiagem prolongada e de geadas.

Dessa forma, o PIB per capita alcançou R$40.688,1 em 2021, um avanço real de 3,9% ante o ano anterior.

Quando separamos o Produto Interno Bruto por unidades da federação, vemos que os maiores PIBs são:

  • São Paulo = R$ 2,348 trilhões
  • Rio de Janeiro = R$ 779,928 bilhões
  • Minas Gerais = R$ 651,873 bilhões
  • Rio Grande do Sul = R$ 482,464 bilhões
  • Paraná = R$ 466,377 bilhões
  • Santa Catarina = R$ 323,264 bilhões
  • Bahia = R$ 293,241 bilhões
  • Distrito Federal = R$ 273,614 bilhões
  • Goiás = R$ 208,672 bilhões
  • Pernambuco = R$ 197,853 bilhões

Só para ilustrar, vamos ver uma lista com os maiores PIBs do mundo, segundo o Fundo Monetário Internacional. A saber, os números estão em valor nominal e se referem ao ano de 2020.

  1. Estados Unidos (USD 20,6 trilhões)
  2. China (USD 14,9 trilhões)
  3. Japão (USD 4,9 trilhões)
  4. Alemanha (USD 3,8 trilhões)
  5. Reino Unido (USD 2,6 trilhões)
  6. Índia (USD 2,6 trilhões)
  7. França (USD 2,6 trilhões)
  8. Itália (USD 1,8 trilhões)
  9. Canadá (USD 1,6 trilhões)
  10. Coréia do Sul (USD 1,6 trilhões)

Recessão

Esse termo, bastante relacionado ao PIB, se refere a um período de crescimento econômico negativo. Quando ocorre de forma moderada, a recessão costuma ser chamada de estagnação. 

Por outro lado, quando se torna prolongada, configura-se como uma depressão. Para que seja classificada como recessão, o critério técnico usado é o de dois trimestres seguidos em crescimento negativo. 

Como resultado, as recessões são acompanhadas do aumento do desemprego e da redução do nível de investimentos privados.

Estagflação

Outro conceito que faz parte da temática do PIB é “estagflação”, a união de recessão (ou estagnação) com inflação. Do ponto de vista teórico, em um cenário recessivo, não deveria ter inflação, já que a população não tem crescimento de renda.

No entanto, já tivemos oportunidade de vivenciar na prática essa condição no Brasil, desemprego em alta, renda baixa e inflação. Dessa forma, a população fica com o bem estar duplamente deteriorado.

Outras dúvidas

Qual a função do PIB?

O PIB é um dos principais indicadores macroeconômicos, e sua função é medir a atividade econômica de um determinado local. Nesse sentido, é possível medir o produto interno bruto de uma cidade, um estado ou um país.

Qual o maior PIB do Brasil?

Historicamente, o maior PIB do Brasil é o do estado de São Paulo. Os dados mais recentes do IBGE apontam que o estado paulista tem um Produto Interno Bruto de R$ 2,3 trilhões. Ou seja, cerca de 27% da economia do país vem de SP. Por isso o estado é conhecido como a locomotiva do Brasil. Só para ilustrar, o valor de São Paulo sozinho é o equivalente à soma de RJ, MG, RS e PR.

Conclusão

Um ponto importante que o IBGE faz questão de reforçar é que o PIB não é o total de riqueza do país. Isso porque dá a sensação de que o indicador é como um estoque de dinheiro, como um tesouro nacional.

Contudo, ele é um indicador de fluxo de novos bens e serviços finais produzidos durante um período. Assim, caso um país não produzisse nada em um determinado ano, seu PIB seria zero.