Os juros no Brasil são muito altos! Você certamente já ouviu essa expressão por ai, ou já sentiu no bolso o quanto pagamos caro pelos juros. Mas o quanto você conhece a Selic, a taxa básica dos juros brasileiros?

É provável que você tenha se deparado com essa taxa na sua vida financeira. Quer seja nos vários vídeos sobre Tesouro Selic que inundam o YouTube ou nas notícias sobre aumento ou redução dessa taxa.

De fato, ela afeta tanto empréstimos quanto investimentos. E você vai conferir, ao longo deste texto, as principais informações sobre a taxa básica.

Afinal, o que é a taxa Selic?

Em resumo, a Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ou seja, ela influencia todas as outras taxas de juros do país, tanto de empréstimos e financiamento, quanto de aplicações financeiras.

Além disso, a taxa básica também tem um papel fundamental na política monetária do Banco Central (Bacen). A saber, ela é o principal instrumento para controlar a inflação oficial (IPCA).

O nome Selic é, na realidade, uma sigla, que significa Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. Esse sistema é uma infraestrutura do mercado financeiro administrada pelo BC no qual são negociados títulos públicos federais. Desse modo, pessoas físicas comuns não têm acesso a esse sistema.

Em outras palavras, as instituições financeiras fazem empréstimos entre si usando os títulos públicos federais como garantia. Assim, a taxa média ajustada dessas negociações diárias corresponde à Selic, também conhecida como Selic-over.

Para que a Selic-over fique alinhada à meta da Selic, o Bacen opera no mercado de títulos públicos com eventuais compras e vendas.

Para que serve a Selic?

Conforme dissemos acima, ela serve para controlar a inflação e para nortear as outras taxas de juros do país.

Por exemplo: quando o Banco Central sobe a taxa, os juros dos empréstimos e cartões de crédito ficam mais caros. Como resultado, há um desestímulo ao consumo e, por consequência, a inflação tende a diminuir.

No entanto, quando o Banco Central diminui a taxa, fica mais barato tomar dinheiro emprestado, pois os juros ficam menores. Assim, existe um estímulo para o consumo.

Qual a Taxa Selic atual?

A Selic hoje está em 10,75% ao ano, quando teve o oitavo aumento em 2 de fevereiro de 2022. Entretanto, é muito provável que na próxima reunião do Copom (Comitê de Políticas Monetárias), ocorra uma nova alta.

De acordo com o Boletim Focus, a taxa básica deve encerrar 2022 em 12,25%. Já em 2023, contudo, ela deve ficar em 8,25% aa.

Mas já há especialistas estimando que os juros básicos subam ainda mais neste ano por causa do aumento dos combustíveis.

O Boletim Focus é um relatório que resume as expectativas do mercado financeiro para:

  • índices de preços;
  • atividade econômica;
  • câmbio;
  • taxa Selic.

Entre outros indicadores. O relatório é divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central. 

O Banco Central define a Selic?

O órgão do Banco Central que define a Selic é o Copom (Comitê de Política Monetária). Ele é formado pelo presidente do Bacen e seus diretores com a responsabilidade de definir a taxa básica de juros.

Assim, o comitê se reúne a cada 45 dias, em um compromisso de dois dias seguidos. Nesse período, os membros do Copom avaliam as expectativas de inflação, o balanço de riscos e a atividade econômica.

Por fim, a definição da taxa básica tem sempre o objetivo de cumprir a meta para a inflação, medida pelo IPCA.

Como calcular a Selic

O cálculo da Selic na decisão do Copom tem como base a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial. Ou seja, o comitê avalia as condições de liquidez e o comportamento dos mercados para estimar como ficará o IPCA.

A partir disso, os membros do comitê votam, em reunião fechada, qual o melhor caminho para garantir a meta da inflação.

Uma vez que a taxa estiver definida, o Bacen passa a atuar diariamente para manter os juros próximos ao anunciado. Desse modo, ele faz operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais.

Cálculo da Selic no dia a dia

Caso você queira calcular o valor da Selic no dia a dia, pode usar a Calculadora do Cidadão, do Banco Central. Essa ferramenta, disponível pelo site e aplicativo, possui quatro funcionalidades principais:

  • Aplicação com depósitos regulares.
  • Financiamento com prestações fixas.
  • Valor futuro de capital.
  • Correção de valores.

Nesta última, é possível fazer correção de valores de índices de preços, TR, poupança, Selic e CDI. Para que você consiga fazer a correção pela taxa básica, deve escolher um período a partir de junho de 1986. Siga o passo a passo abaixo para calcular a Selic.

  1. Em primeiro lugar, acesse o site ou aplicativo da Calculadora do Cidadão.
  2. Em seguida, escolha a opção “correção de valores”.
  3. Logo depois, informe a data inicial, data final e o valor a ser corrigido.
  4. Por fim, clique em “corrigir valor”.

Selic acumulada

A forma mais simples de calcular a Selic acumulada é por meio da Calculadora do Cidadão, conforme o passo a passo acima.

Mas, caso tenha interesse, você pode consultar o histórico das taxas de juros no site do Banco Central. Lá, estão dados desde julho de 1996.

E a tabela do Bacen tem informações sobre a data da reunião do Copom e o período de vigência da taxa de juros. A saber, a taxa básica sempre aparece em valores ao ano, com base em 252 dias úteis.

Taxa básica e os investimentos

Agora que já vimos o que é, para que serve e como calcular a Selic, vamos entender como ela afeta seus investimentos.

Por ser a taxa básica de juros, ela certamente afeta os juros que grande parte dos ativos de renda fixa vão pagar. Ou seja, a rentabilidade oferecida por esses investimentos terá o impacto da Selic. Entre os investimentos mais afetados por variações dos juros estão:

  • Tesouro Selic;
  • Caderneta de poupança;
  • Diversas contas remuneradas, CDBs, LCIs, LCAs, etc.

Tesouro Selic

Conforme o nome já indica, o título do Tesouro Direto mais famoso usa a taxa Selic como indexador. Em outras palavras, a rentabilidade desse título público está diretamente atrelada à taxa básica de juros.

Assim, se a Selic sobe, a rentabilidade também sobe, e vice-versa. Dessa forma, esse tipo de investimento é um título pós-fixado, já que a rentabilidade varia ao longo do tempo.

Justamente por estar atrelado à taxa básica, ele é o investimento ideal para quem quer começar a investir no Tesouro Direto. Entre as suas vantagens, estão por exemplo:

  • Menor risco no caso de venda antecipada para usar o dinheiro investido.
  • Por isso, ele é o ativo ideal para reserva de emergência.
  • Além disso, é indicado para objetivos de curto prazo, por conta do risco menor.

Caderneta de poupança

A famosa poupança também está diretamente relacionada à taxa Selic. Já que, desde 2012, houve uma mudança nas regras da sua rentabilidade para dois cenários.

  • Enquanto a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês + Taxa Referencial;
  • Mas, quando a taxa estiver igual ou abaixo de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança será 70% da Selic + Taxa Referencial.

Dessa forma, fica fácil perceber que o rendimento da poupança é menos vantajoso do que o Tesouro Selic. Enquanto o Tesouro rende 100% da Selic mais uma pequena rentabilidade extra, a caderneta chega, no máximo, a 70% da Selic.

Contas remuneradas, CDBs, LCIs, LCAs, etc.

As contas digitais com remuneração, como PicPay e Nuconta, também têm rentabilidade atrelada à Selic, mas de forma indireta. Assim como alguns CDBs, LCIs, LCAs, e outros investimentos de renda fixa, elas têm rentabilidade indexada pelo CDI.

O CDI é uma taxa de juros irmã da Selic que, geralmente, fica 0,10 ponto percentual abaixo da taxa básica. Dessa forma, qualquer variação por parte do Copom afeta todos esses investimentos.

Em outras palavras, quando a Selic sobe como atualmente, as contas remuneradas e  investimentos atrelados aos juros ficam mais vantajosos.

Dúvidas frequentes

Qual a diferença entre Selic e CDI?

A sigla CDI significa Certificado de Depósito Interbancário. Esse é o nome dos empréstimos que os bancos fazem entre si para fechar o caixa do dia no positivo. Já que todo empréstimo tem juros, neste caso, se usa a Taxa CDI.

A diferença entre Selic e CDI é que a primeira é definida pelo Copom. Já a segunda é uma taxa livre que acompanha a Selic. Isso acontece porque se a taxa básica estiver muito maior, os bancos têm mais vantagem em comprar títulos públicos.

Por outro lado, se o CDI estiver mais alto, o custo do empréstimo entre bancos também se torna menos vantajoso. Assim, as duas taxas costumam andar muito próximas.

O que ocorre com o aumento da Selic?

No momento em que o Copom aumenta a Selic, os juros dos empréstimos e cartões de crédito ficam mais caros. Assim, os consumidores e as empresas perdem o estímulo para consumir e contrair dívidas. Como resultado, diminui a margem para aumento de preços, ou seja, a inflação tende a diminuir.

Conclusão

Em resumo, conhecer a taxa básica de juros te ajuda a entender o quanto você ganha com investimentos de renda fixa. Ou, por outro lado, o quanto você perde com os juros nos empréstimos.

A Selic é um excelente parâmetro para avaliar porque certos tipos de empréstimos são muito caros. E, por isso, não trazem vantagem para o seu bolso. 

Agora que você já sabe como a Selic afeta seu dia a dia, que tal conhecer o empréstimo com FGTS?